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​Precisamos de 1,6 planeta Terra para suprir nosso consumo

​Precisamos de 1,6 planeta Terra para suprir nosso consumo
08/08/2016

O cálculo é complicado, mas a explicação é simples: as demandas de consumo global, a eficiência na produção de bens e o tamanho da população são os gastos necessários para a humanidade, enquanto a capacidade da natureza de prover recursos e “reciclar” resíduos organicamente são os ganhos. Nessa conta, feita pela ONG Global Footprint Network seguindo o conceito de “pegada ambiental”, em que são computados dados da ONU, da Agência Internacional de Energia e da OMC (Organização Mundial do Comércio), além de informações enviadas por governos de cada país, estamos devedores.

Segundo a entidade, hoje (8 de agosto) chegamos ao dia em que a natureza esgota a capacidade que conseguiria produzir para o ano de 2016, e passamos a absorver da Terra recursos que ela não pode suprir sem prejuízo. É o chamado Dia da Sobrecarga da Terra, ou Earth Overshoot Day.

Em 2016, o “saldo negativo” chega cinco dias mais cedo do que em 2015, apesar de todos os esforços bradados aos sete ventos pelas organizações e empresas de bandeira consciente. Um termômetro para acompanhar a degradação do meio ambiente ao longo do tempo, o Dia da Sobrecarga vem sendo calculado desde o ano 2000 e conclui: a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas.

“Algumas consequências dessa superexploração dos recursos naturais são o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, a erosão do solo, o desmatamento das florestas, a sobrepesca, a diminuição da biodiversidade e as mudanças climáticas. Assim, se nada mudar no comportamento de consumo humano, a projeção é de que precisaremos de duas Terras antes de 2050”, explica o Istituto Akatu, organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente conciliado com o bem-estar. O Akatu também atua junto a empresas que buscam caminhos para a nova economia, ajudando a identificar oportunidades que levem a novos modelos de produção e consumo – modelos que respeitem o ambiente e o bem-estar, sem deixar de lado a prosperidade.

No primeiro ano da medição, o esgotamento dos recursos naturais do planeta aconteceu em 04 de outubro, quase dois meses mais tarde do que a data determinada para 2016. Também foram feitos cálculos retroativos desde 1961, concluindo que o primeiro ano de Sobrecarga da Terra aconteceu em 1970, quando a data caiu no dia 23 de dezembro. Calcula-se também a possibilidade de adiar essa data, que pode chegar à segunda quinzena de setembro, caso, até 2030, as emissões de carbono sejam reduzidas em pelo menos 30% abaixo dos níveis – resultado pretendido pelo Acordo de Paris estabelecido na Conferência do Clima das Nações Unidas em dezembro (COP 21).

“Somente com a implantação bem-sucedida de novas mentalidades de consumo e produção essa meta poderá ser alcançada. Do ponto de vista individual, atitudes como a diminuição do consumo em excesso e com desperdício de energia elétrica, de carne e transportes movidos a combustíveis fósseis são algumas das principais maneiras de colaborar, lado a lado com os compromissos de governos e empresas no combate ao desmatamento e recuperação de áreas degradadas no planeta”, afirma Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu.

De acordo com Jenny Lopez, consultora e especialista em alimentos e energia do Forum of the Future, é fundamental explorar o complexo relacionamento entre as questões ambientais e sociais – tanto local quanto globalmente – para criar oportunidades, pois só assim as mudanças acontecerão de fato. O Forum of the Future é também uma organização não governamental britânica, que vem ajudando empresas e instituições do mundo todo a compreender os ganhos reais de abordar a sustentabilidade, não apenas do ponto de vista sócio-ambiental, mas também da lucratividade.

“As organizações não podem simplesmente se mostrar entusiásticas acerca dos objetivos sustentáveis. É preciso haver planejamento integrado às operações. Internamente, a política de sustentabilidade deve não apenas incentivar o comportamento positivo, como também monitorá-lo. Externamente, é necessário haver uma abordagem ampla, envolvendo parceiros, colaboradores, clientes e fornecedores na estrutura e na cultura que leve ao comportamento sustentável. Além disso, é dever da organização educar inclusive o consumidor acerca das práticas”.

Jenny Lopez, para o Especial Sustentabilidade, Guia Marítimo

Fonte: Guia Marítimo